quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Natal com tia Marta

Maria Clara não está muito animada com esse Natal. O irmão que agora estuda e trabalha em Minas Gerais não poderá vir; a tia que ela mais gosta também não; resultado...ah não, Natal na casa da tia Marta, de novo não!
Tia Marta é o tipo de pessoa que consegue dar exatamente os presentes que a vítima mais detesta. Não pelo preço ou qualidade. É diferente, parece que ela tem a varinha mágica invertida ou algo do gênero.
Houve uma época em que a garota não usava nada verde, por considerar uma traição ao seu time, Corinthians, que na verdade era o time do avô, do irmão e acabou sendo adotado por ela.
No Natal passado, a garota estava no auge da fase “verde só a natureza e a minha salada”. Toda a família, amigos, vizinhos, gatos e cachorros da redondeza sabiam disso.
A festa foi na casa da tia Marta, com direito ao tio vestido de Papai Noel e um monte de amigas da tia que comiam o tempo inteiro e apertavam as bochechas dos menores de vinte anos.
Chegada a hora da troca de presentes, tia Marta aparece com um volumoso presente envolto em papel metálico, do tipo espelhado e...verde!
Maria Clara vê a tia caminhar em sua direção com aquele sorrisinho de “você não vai acreditar”. Conforme a tia avança em sua direção ela tem a impressão de que o pacote vai crescendo como essas melecas pavorosas que aparecem em filmes americanos sobre alienígenas.
Corre os olhos pela sala à procura da mãe e vê que ela está tentando impedir que a avó, de noventa anos, pergunte a uma amiga da tia Marta para quando é o bebê. Pelo desespero estampado no rosto da mãe ela tem certeza que a dita senhora não está grávida.
Resignada com a delicada situação em que a mãe e ela se encontram, a garota resolve, então, apelar para a embromação. Começa a raspar levemente as unhas, supostamente tentando tirar a fita adesiva sem destruir o papel verde espelhado. Mas, tia Marta que não é simplesmente uma tia, mas sim a tia Marta, e só quem tem uma sabe o que isso significa, avança sobre o embrulho dizendo:
- Assim não, bobinha - Tem que rasgar o papel, por mais lindo que seja pra dar sorte! –e, sem piedade, parte para a destruição.
Na medida em que rasga o papel, pedaços dos mais variados tons de verde saltam diante dos olhos da garota; calça, camiseta, jaqueta e, por incrível que pareça, um par de meias!
Tia Marta colocava as peças próximas ao corpo da garota e chamando a atenção de todos perguntava se não achavam que ela ficava liiinda - assim mesmo, esticando os “is” - com aqueles tons de verde.
A menina, com um sorriso amarelo pregado no rosto vermelho, olhava em volta à procura da mãe ou de um buraco bem fundo, o que aparecesse primeiro.
A mãe surgiu antes que o buraco e, mal conseguindo disfarçar a vontade de rir, abraça a garota e fala baixinho:
- É...Natal colorido!
A garota, olhando a avó que escapulira e estava com as mãos na barriga da amiga da tia, responde:
- Colorido e irado!
A mãe, acompanhando o olhar da filha, fica pálida, depois rosa e vai assim até atingir o vermelho, põe a mão no peito e suspira. Maria Clara, segurando uma gargalhada, abraça a mãe e manda:
- Manhê...relaxa!
Sai para o jardim, arrastando a mãe e fala baixinho:
- Abafa o caso...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Mantendo o Combinado.

Maria Clara anda preocupada com a mãe. Nos últimos dias ela anda um pouco...estranha; não, estranha não mas...diferente, é isso, muitíssimo diferente.
A menina fica pensando sobre isso e vai listando mentalmente: roupas, cabelo, brincos (a mãe não sai sem eles), colares (os mais incomuns, de preferência) e constata que nisso continua tudo igual. A mãe gosta de jeans, camisetas, batas e bolsas sempre enormes, onde guarda tudo que não sabe onde colocar no momento. Não, definitivamente a mudança não é por aí. Acha que é no jeito, no olhar da mãe, especialmente quando olha para...ela!!?
É isso mesmo. Como aconteceu naquele dia em que chegou da escola e foi contar a super novidade (já não lembra qual) e a mãe acompanhou a história, mas parecia querer falar alguma coisa e acabou esquecendo o que era.
Flagrou o mesmo olhar no rosto da mãe quando, no domingo, estava conversando com o povo no Twitter, Orkut, MSN e mostrou para a mãe como a mão dela ficava mais clara e as unhas pareciam mais longas com aquele esmalte vermelho “Rubi”. Tirou a mão direita do teclado, ergueu-a e perguntou à mãe:
- E aí, gosta? Fiquei muito branca, né? Aliás, como é que alguém pode ser tão branca, mãe? Bom, apesar de que você é bem branquinha e tem mais pintinhas e meu pai não é nenhum morenaço...ô mãe, fala alguma coisa. Gostou?
- É...bom...a cor é bonita sim, mas você sempre gostou de cores claras...quero dizer, você sempre usava esmaltes quase sem cor, a não ser quando resolvia brincar com suas amiguinhas.
A menina, com os olhos arregalados, agora bem mais branca, manda:
- Mãe do céu!!! Brincar com minhas amiguinhas!!? Jura, promete, que nunca vai repetir isso quando elas estiverem por perto!
- Maria Clara, não comece um drama agora! Está bem, nem brincar nem amiguinhas. Mas não vejo onde está o absurdo disso, afinal até bem pouco tempo vocês adoravam brincar com as minhas coisas.
- Ai, manhêe!!! – a menina já estava em franco desespero.
- Ok, certo – retruca a mãe em tom conciliador.
- Mas tem uma coisa Maria Clara – assim mesmo, os dois nomes bem pronunciados.
- Aquilo que combinamos continua valendo, certo?
A menina lembra, revirando os olhos, mas com um sorriso querendo já aparecer, que “aquilo” significava que não era para beijar, ficar ou qualquer coisa do gênero e tomar cuidado com garotos.
Agora, já soltando sonoras gargalhadas, lembra o resto do combinado: mas se beijar ou ficar contar para sua mãe imediatamente!
- Ai, mãe, só você mesmo – disse a garota, já chorando de tanto rir.
- Não vejo motivo pra tanto espanto – agora a mãe já meio que sorria também.
- Mãe, você, primeiro, diz que não é para eu beijar nenhum garoto; em seguida você diz que, se por acaso, eu beijar, é pra contar de cara pra você. Dá pra crer? – a gargalhada aumentava e a mãe estava segurando a sua.
- Claro que dá Maria Clara. Eu não quero que isso aconteça já, mas se acontecer quero saber, ora!
- Manhê...você sabe que não tem nenhum garoto que eu queira ficar.
A mãe ia saindo do quarto, com um sorriso nos lábios quando ouve:
- Mãe do céu!!! Eu sabia que tinha uma coisa pra contar e com essa conversa toda estava esquecendo.
A mãe se volta, ainda na porta do quarto.
- Lembra do Betinho? Aquele garoto por quem eu era a-pai-xo-na-da na terceira série? Mãe do céu, ele tá gatíssimo e pediu meu MSN e o número do meu celular pra Lu! Tem mais: ele falou que vai na festa da Crica só pra me ver! É muito “per” – de perfeito – mãe!
Novamente a menina percebe aquela coisa diferente na mãe, mas passa rápido. Ainda parada com a mão na maçaneta da porta a mãe pergunta:
- Hã..filha...Maria Clara, você não acabou de dizer que não tem nenhum garoto que você queira ficar?
- Disse, ué...bom..hã...
- Quer saber – diz a mãe – por enquanto abafa o caso!

Lívia Where http://liviawhere.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Maria Clara


Maria Clara tem catorze anos, olhos castanhos, cabelos longos e encaracolados, uma profusão de cachos que ora ama, ora jura que vai arrancar fio a fio. Somente a mãe e umas poucas pessoas empregam seu nome na forma composta. É chamada de Clara, Clarinha, Maria e também Mariazinha.
Tem oscilações de humor que vão de “como a vida é per!!! (de perfeita)” a “furaram a minha nuvem (meu mundo caiu...).”
Em plena segunda-feira chegou da escola como uma ventania súbita, já disparando
- “Mãe do céu!“
É como sempre inicia o relato de algo excepcional que aconteceu no colégio, na casa da amiga, no shopping, na internet, enfim nos lugares em que ela ama estar e se pudesse estaria em todos ao mesmo tempo.
Prossegue, contando a história, como uma metralhadora desgovernada, mal parando para respirar.
Caso a mãe tenha algo a dizer, um recado a dar, uma pergunta, pode esquecer. Qualquer interrupção só será possível quando ela terminar a história importantíssima, do fato mais emocionante, que tanto pode ser o “oi” cheio de charme e significados dado pelo menino por quem ela está, atualmente, a-pai-xo-na-da, como também o desabamento do prédio do colégio.
De repente toca o telefone e ela dispara para atender a amiga – Lu – com quem estava até quinze minutos atrás.
O assunto prossegue, comentado com a amiga que presenciou o acontecimento e, simultaneamente, contado à mãe, que continua esperando uma brecha, uma respiração, para poder falar.
Com a participação da amiga ao telefone, o fato vai tomando uma proporção mais emocionante, a agitação ganha níveis estratosféricos, para total desespero da mãe, que precisa dar seu recado, almoçar e correr para o trabalho.
De repente a mãe ouve o sinal familiar de alguém falando no Messenger.
Mas, espera: ela chegou da escola e, com a mochila ainda nas costas começou a contar a história à mãe, atendeu o telefone, continuou a história...afinal, em que momento dessa trajetória, a mãe piscou e ela teve tempo de ligar o computador, enquanto contava a história, atendia o telefone, continuava a história?
Enquanto acabava de colocar a comida na mesa – função de Maria Clara – a mãe, cismada, revia mentalmente a sequência de tudo, pois o computador não ficava ligado durante a noite. Isso ela checava sempre.
Nesse momento a garota chega na sala e solta:
- Credo mãe...que cara é essa??? O que você queria falar mesmo?”
A mãe, voltando de um lugar que só mães de Marias Claras conhecem, olha a menina, pensa e responde:
- Esqueci!
- Ô mãe!!! Depois eu que vivo no mundo da lua né?
Quer saber? Abafa o caso!

Lívia Where http://liviawhere.blogspot.com/

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A história começa amanhã

Já é muito tarde e se minha mãe me pega acordada, escrevendo a essa hora nem quero pensar...o resto fica pra amanhã.

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